5 deuses mais subestimados de Percy Jackson

A saga Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan, é conhecida por trazer os deuses do Olimpo para o século XXI. No entanto, enquanto os holofotes brilham intensamente sobre as intrigas de Zeus ou a imponência de Poseidon, existe um grupo de divindades que opera nas entrelinhas. Estes são os deuses “subestimados”: figuras cujos domínios são silenciosos, mas cuja ausência colapsaria o universo. [Contém spoilers sobre a saga Ladrão de Raios]
Neste artigo, vamos analisar cinco deuses que merecem mais reconhecimento, traçando um paralelo entre sua representação nos livros e as fontes mitológicas clássicas.
1. Héstia: Dente os Deuses, é a Chama que Sustenta o Lar

No universo de Riordan, Héstia é talvez a personagem mais tocante. Ela aparece como uma menina de oito anos sentada perto da fogueira no Acampamento Meio-Sangue, cuidando das brasas. Ela é a “Última Olimpiana”, aquela que cedeu seu trono para Dionísio para evitar uma guerra civil no Olimpo.
Héstia na Saga Percy Jackson:
Héstia representa a esperança e a sobrevivência do lar. Enquanto os outros buscam glória e poder, ela foca na manutenção da paz. No livro final, ela é a peça chave que lembra Percy de que “o lar é onde a fogueira queima”. Sua força não vem de raios ou tridentes, mas da resistência silenciosa.
Héstia na Mitologia Original:
Héstia era a primogênita de Cronos e Reia. Ela era tão respeitada que, em todo banquete grego, o primeiro e o último sacrifício eram oferecidos a ela. Ela não se envolvia em fofocas ou guerras, o que a tornava “menos interessante” para os poetas épicos como Homero, mas fundamental para a vida cotidiana. Sem Héstia, não havia civilização, pois o fogo do altar central de uma cidade simbolizava sua alma.
2. Hefesto: A Força da Criação Solitária

Frequentemente reduzido ao papel de “ferreiro dos deuses”, Hefesto é retratado por Riordan como um deus amargo, deformado, mas dotado de uma genialidade mecânica insuperável. Seus filhos no acampamento são inventores, muitas vezes incompreendidos.
Hefesto na Saga Percy Jackson:
Ele é o deus que prefere máquinas a pessoas. Riordan explora sua solidão e a decepção com a perfeição estética do Olimpo. Ele é quem fornece as soluções tecnológicas para os heróis, agindo como o arquiteto por trás dos bastidores.
Hefesto na Mitologia Original:
Hefesto era o único deus que trabalhava. Para os gregos, o trabalho manual era muitas vezes visto com desdém pela elite, mas Hefesto elevava a metalurgia ao nível de arte divina. Ele era o mestre das “autômatas” — robôs de ouro que o ajudavam a andar. Seu mito de rejeição (sendo jogado do Olimpo por Hera) é um dos mais cruéis, refletindo como a Grécia Antiga lidava com a imperfeição física.
3. Íris: Muito Além do Arco-Íris

Em O Filho de Netuno, Riordan nos apresenta uma Íris moderna: uma deusa “hippie” que gerencia uma loja de produtos orgânicos. Embora pareça uma personagem de alívio cômico, sua função é vital.
Íris na Saga Percy Jackson:
Íris é a responsável pelas “Mensagens de Íris”, a principal forma de comunicação entre semideuses antes dos telefones serem seguros (ou proibidos). Ela é a ponte que conecta o mundo fragmentado dos heróis.
Íris na Mitologia Original:
Íris não era apenas a deusa do arco-íris; ela era a mensageira pessoal de Hera e a conexão direta entre o céu e a terra. Diferente de Hermes, que é o deus dos ladrões e do comércio, Íris era a personificação da comunicação pura. Ela viajava na velocidade da luz e era a única, além de Hermes, que podia entrar e sair do Submundo sem restrições.
4. Hermes: O Deus das Mil Facetas

Hermes é subestimado no sentido de que as pessoas esquecem o quão perigoso ele pode ser. Em Percy Jackson, ele é o pai de Luke Castellan, o que traz uma carga emocional imensa à sua caracterização.
Hermes na Saga Percy Jackson:
Hermes é o deus dos viajantes, dos ladrões e das entregas rápidas (representado como o CEO da Hermes Express). Riordan foca na sua dor como pai e na sua natureza multifacetada. É o deus que “entende” os mortais melhor do que ninguém.
Hermes na Mitologia Original:
Hermes era o “Trickster” original. Ele inventou a lira, o fogo (em algumas versões) e o comércio. Ele é o Psicopompo, o guia das almas para o pós-morte. Sua importância é subestimada porque ele está em todo lugar; ele é o deus das fronteiras e das transições. Sem Hermes, o fluxo de almas e informações pararia.
5. Ártemis: A Liderança e o Poder Feminino

Embora seja uma das grandes deusas, Ártemis é subestimada pela sua recusa em participar da política tradicional do Olimpo. No livro A Maldição do Titã, vemos seu poder e sua independência.
Ártemis na Saga Percy Jackson:
Ela lidera as Caçadoras, um grupo de mulheres que juram castidade e vivem livremente na natureza. Riordan a retrata como uma líder pragmática e justa, que valoriza a lealdade acima de tudo.
Ártemis na Mitologia Original:
Ártemis era a senhora dos animais selvagens e a protetora do parto. É um paradoxo interessante: a deusa virgem que ajuda no nascimento. Ela representava a natureza intocada, o espaço onde o homem não tinha controle. Sua subestimação vem do fato de ela ser, muitas vezes, colocada como um “oposto” de Apolo, quando na verdade sua esfera de influência sobre a vida e a morte é tão vasta quanto a dele.
[Deuses subestimados] O Equilíbrio do Olimpo
Ao comparar a ficção de Rick Riordan com os textos de Hesíodo ou Ovídio, percebemos que a “subestimação” desses é o que mantém o mundo em movimento. Enquanto os maiores lutam por dominação, são deusas como Héstia e deuses como Hefesto que garantem que haja um lar para onde voltar e ferramentas para lutar.
A série Percy Jackson faz um serviço brilhante ao dar voz a essas divindades, lembrando-nos que o poder mais barulhento nem sempre é o mais importante.
Caso tenha curiosidade sobre outros deuses, abaixo um artigo que pode ajudar:
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/deuses-do-olimpo.htm
